Fred Rocha
24 de novembro de 2015

Santo de casa faz milagre sim

É impressionante como o ser humano tem dificuldades para perceber certas situações mesmo que elas aconteçam com frequência. Observe o quanto é comum não reconhecer qualidades em pessoas que estão ao nosso lado no dia a dia mesmo, próximos. Na maioria das vezes valorizamos o fulano de tal que é de não sei onde e fez não sei o que pra lá.

Esse processo na verdade tem uma raiz cultural, desde cedo escutamos em casa que a “grama do vizinho é sempre mais verde”. Talvez você tenha um irmão que acordava cedo todos os dias, estudou, trabalhou, conciliou inglês e demais atividades em função de um propósito, mas você provavelmente nunca o parabenizou por isso. Agora se você recebe um convite de formatura de um primo distante que mora em outro estado e que você não tem nem ideia de como ele conduziu sua rotina até chegar ali com certeza você irá ressaltar que foi uma grande conquista, que fulano é esforçado, um orgulho. Mesmo que ele tenha sido bancado pelos pais, levado anos para se formar e nunca ter trabalhado na vida. Já pensou nisso?

Por que a grande maioria valoriza o que está longe dos olhos? Trazendo essa reflexão para o mundo dos negócios observe que as vezes a empresa traz um profissional de outro estado para assumir um cargo regional. É claro que cada caso é um caso, mas a na maioria das vezes é comum a empresa valorizar alguém de fora do que promover alguém que está na empresa há um tempo e que tem se dedicado a ela.

Veja como é comum nos dias de hoje você “seguir” os passos de um profissional que você admire, mesmo que vocês não morem no mesmo estado ou país. Quando isso acontece, independente da área que você trabalhe, você diz ou irá escutar algo do tipo: “nossa você viu a entrevista de fulano ontem? Ele realmente é muito bom, participou de tais eventos, fez palestra em tal cidade e agora está desenvolvendo o projeto tal”. E as vezes seu vizinho ou o colega que senta perto de você é tão bom quanto (e as vezes até melhor) e você não faz ideia nem do que ele faz. Outro comentário comum nesse sentido: “fulano… não sei acho que ele é formado em economia. Sério? Ele se especializou em Harvard… nossa eu não sabia…”.

Precisamos mudar esse conceito, mesmo se tratando de uma prática cultural. Observe mais quem está a sua volta, se trata de reconhecimento! Antes de buscar pessoas que estão longe de você avalie primeiro as pessoas próximas de você, não utilize seus conhecidos como última opção depois que tudo deu errado e você o convida como última alternativa.

Se você parar para conversar e pesquisar sobre o que está sendo feito ao seu redor, não tenho dúvida que você irá se surpreender e que não terá que se preocupar em buscar gente de fora para suprir qualquer demanda, inclusive de admiração e referência. Isso mesmo, defenda quem você conhece e acompanha, um amigo ou um colega de trabalho pode ser sim sua referência profissional.

Se cada um fizer sua parte tenho certeza que as coisas vão mudar gradativamente e os méritos serão destinados a quem de fato os merece, pense nisso e olhe a sua volta.

Fred Rocha
Artigo: 08/09/14

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