Fred Rocha
10 de novembro de 2015

Pare de reclamar, trabalhe!

É impressionante o que um pensamento seja ele positivo ou negativo pode fazer. Nos últimos anos o varejo nacional refletia um frenesi quase que natural, espontâneo. Todas estavam otimistas, os empresários investindo em seus negócios e equipes e os números correspondiam as expectativas. Em 2014 tudo mudou, tudo. Os varejistas estão pessimistas e psicologicamente já estão vivendo uma crise que vai acabar se instaurando se continuar desse jeito.

Observe que se trata de uma geração em cadeia em relação ao sentimento de crise, preocupação e pessimismo da economia/mercado. Os varejistas que estão receosos acabam passando isso para os seus funcionários que comentam com amigos, familiares que são consumidores e pronto, a cadeia de preocupação está formada.

A situação chegou a tal ponto que as pessoas estão com dinheiro, mas estão com medo de gastar justamente porque estão esperando o “pior” que está por vir. O problema é que a diminuição do índice de confiança do consumidor atinge em cheio todos os setores do país, mas principalmente o coração: o comércio.

Os pequenos e médios negócios são os principais geradores de emprego e renda no Brasil e quando justamente essa turma decide pisar no freio o engavetamento é certo. Todo mundo que está atrás é obrigado a parar, e o pior, de forma brusca. Grandes empresas já estão demitindo centenas de funcionários de uma só vez o que demostra que a certeza do fracasso é tamanha que eles já aceitaram a derrota e já estão prontos para enfrentar a “crise” e reposicionamento da economia brasileira.

O crescimento do mercado brasileiro se deu a partir do aumento da oferta de empregos e consequentemente aumento da renda média dos consumidores que também tiveram acesso ao crédito facilitado. E estes dois fatores fizeram com que o dinheiro girasse e que a economia ficasse aquecida de forma favorável para o mercado e para os consumidores. Num cenário como este a confiança do consumidor obviamente vai lá em cima, o que faz com que ele tenha confiança em comprar e até mesmo em assumir dívidas e financiamento a longo prazo.

Mas quando acontece o contrário o resultado é o que estamos vivendo hoje. Segundo pesquisas realizadas pela FGV, Banco Central e IBGE com análise NE&PE – GS&MD, entre outubro de 2010 até janeiro de 2013 houve uma estabilidade otimista no que diz respeito ao índice de confiança do consumidor. E a mudança começou a acontecer a partir de então, de lá pra cá o índice de confiança não para de cair o que ilustra tudo que já foi falado até aqui nesse editorial.

O que é interessante ressaltar nesta pesquisa é que desde 2007 o aumento do crédito é contínuo. Em 2007 tínhamos 432,4 bilhões de reais em crédito para pessoa física. Em 2013 o número chegou a 1.214,9 bilhões. Quando se trata de salários e renda média dos trabalhadores desde 2004 também houve crescimento. Salários: 2004 – 28,3 bilhões em 2013 – 46,2 bilhões. Renda média: 2004 – 1.431 reais em 2013 – 1.965 reais. Ou seja temos mais dinheiro na praça e mais disponibilidade de crédito o que não garante um bom índice de confiança por parte dos consumidores.

No ponto que chegamos temos duas alternativas. Ou a gente continua como está e aceita que tudo está ruim e a tendência é que fique pior ou arregaça as mangas e vai trabalhar mais ainda. Substituir a reclamação e o pessimismo por trabalho e boas ideias pode ser uma boa saída para enfrentar qualquer situação.

Por Fred Rocha

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