Fred Rocha
11 de dezembro de 2015

Apertem os cintos o consumidor sumiu!

Atualmente estamos vivendo um ciclo preocupante. Atendo como consultor várias empresas de diferentes portes e setores, por isso acompanho de perto os altos e baixos do comércio. Além do aumento ou redução das vendas, escuto, analiso e oriento quanto as estratégias que precisam ser adotadas em determinados períodos. E hoje o pequeno varejista tem sofrido com o atual cenário do nosso varejo, falta consumidor, falta confiança no mercado e o problema está criado.

De forma geral todos os lojistas sofreram e estão sofrendo com a queda que tem assombrado o varejo nos últimos meses. Houve muita retração por parte de todos que temiam os resultados no comércio com a realização da Copa do Mundo no Brasil. O mundial já foi, mas o comércio ainda não consegui absorver os impactos. Os retornos não foram positivos como se esperava e além disso existe uma crise de confiança por parte dos consumidores que estão com “medo” de gastar e muito mais ainda de assumir dívidas para o futuro ainda incerto.
Dos clientes que atendo os que mais sofreram foram as lojas de shoppings, os que tiveram menores quedas recuaram no mínimo 20% em relação ao ano passado (incluindo queda nas vendas e operação da loja). Teve loja que já recuou 40% este ano.

Tudo isso gera um ciclo, uma situação que é a seguinte: o consumidor some das lojas porque está cheio de receios. Quando isso acontece o empresário também recua e compra menos produtos e investe menos em seu negócio. Automaticamente o setor industrial é diretamente atingido, produz menos e acaba mandando empregados embora e esses empregados são os consumidores que com medo vão comprar cada vez menos.

Só para ilustrar tudo que eu disse até aqui tenho dois exemplos de como este ciclo é real e perigoso para todos nós. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na região metropolitana de São Paulo entre maio e junho houve queda de 1,6% no rendimento médio real dos trabalhadores, puxada principalmente pelas quedas nas atividades da indústria e do comércio. Para agravar a situação, em São Paulo, além da perda no poder real de compra, os funcionários da indústria sofreram com a extinção de postos de trabalho. A indústria demitiu 107 mil pessoas nesta região metropolitana de São Paulo no mês junho, uma queda de 5,9% em relação a igual mês do ano passado. Foi o único setor na região a registrar uma redução considerada relevante do ponto de vista estatístico no período. Em relação a maio, foram fechados 74 mil postos de trabalho, uma queda de 4,1%.

O segundo exemplo demostra o atual cenário do varejo em Belo Horizonte. O crescimento de 2,46% do comércio varejista da capital nos primeiros cinco meses de 2014 esteve abaixo do que foi registrado nos últimos cinco anos nesse mesmo período. Ainda segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), o resultado negativo das vendas dos primeiros cinco meses de 2014, na comparação com os anos anteriores, é reflexo do poder corrosivo da crise sobre a renda das famílias que estão menos favoráveis ao consumo, tendo em vista a maior inflação e alta da taxa de juros em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Quem leu o artigo até aqui deve estar se perguntando, e agora então, o que fazer? A solução é quebrar esse ciclo ruim. Para isso será preciso esforço de nós empresários no que se refere a investimentos em nossos negócios. As grandes lojas estão sofrendo menos nesse momento porque lá atrás investiram em estrutura, comunicação, em sua marca, por isso estão suportando o recuo do consumidor de forma mais amena. Nesse momento a criatividade se torna um fator primordial, não recue, invista em suas ideias e faça diferente. Juntos podemos quebrar esse ciclo, só depende de mudar nossa postura, afinal a melhor defesa é o ataque, pense nisso.

 

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